Daniela Origuela Colaboração para Universa
Ela vivia no lixão e hoje fatura milhões: “Me alimentava de restos’Daniela Origuela” Colaboração para Universa
As cifras de um faturamento anual milionário não lembram de longe o início da vida da empresária Alexandra Borges, 52, resgatada de um lixão no município de Jacareí, interior de São Paulo.
Eu tinha um ano e 10 meses quando fui encontrada brincando entre sacos de lixo e me alimentando de restos de comida. Vivia sendo deixada, sem cuidados, entre minha mãe e avó biológicas. Foi então que Sebastiana, uma lavadeira, me resgatou e me acolheu em sua casa, me dando amor, dignidade e um novo sobrenome.
A empresária conta que cresceu ao lado dos nove filhos da mãe adotiva e, embora a união e o amor fossem grandes na família, por falta de recursos, viu o básico faltar em casa.
“Vivíamos com muitas dificuldades. Lembro bem da luta diária para colocar comida na mesa, mas também me recordo da união, da fé e do afeto que nos sustentavam”, disse.
Diante das dificuldades enfrentadas pela família, Alexandra conta que, ainda criança, aos oito anos, foi às ruas vender coxinhas feitas pela mãe.
Vi a minha mãe chorando por não termos dinheiro para comprar uma torneira para lavar as roupas. Fui à rua com uma bacia de coxinhas que eu chamava de “bolinhas de frango com amor”. Não vendi nada na primeira tentativa, mas voltei contando a nossa história e vendi tudo, inclusive o pote.
O trabalho formal entrou na vida de Alexandra aos 13 anos. Precisou conciliar os estudos com a rotina laboral. Ela conta que essa experiência a fez perceber que tinha aptidão para as vendas.
“Trabalhei como balconista em uma papelaria na temporada de volta às aulas. Durante um temporal coloquei uma capa, abri os guarda-chuvas da loja e fui para a calçada. Vendi todo o estoque e fui efetivada. Eu trabalhava o dia todo e estudava à noite. Era um desafio conciliar estudo e trabalho, mas aprendi cedo que o esforço era meu caminho para conquistar a liberdade”, conta.
A maturidade precoce de Alexandra também veio com uma gravidez na adolescência e um casamento antes de completar 18 anos.
“Conheci o pai dos meus filhos aos 14 anos e logo começamos a namorar. Aos 17 engravidei e nos casamos às pressas. Dois meses após o nascimento da nossa primeira filha, Thereza, descobri uma nova gravidez, e nasceu o Jean. Eles têm apenas 11 meses de diferença. Éramos muito jovens e imaturos e o casamento durou apenas três anos”, relata Alexandra.
A vida ainda traria outro desafio pessoal para Alexandra, que logo após o divórcio descobriu dois nódulos na tireoide.
“Eu já apresentava sintomas, incluindo inchaços, taquicardia, queda de cabelo, mas achava que era apenas cansaço. Fui diagnosticada por uma cliente, que era médica e me ajudou. O tratamento foi longo, com medicamentos fortes que afetaram minha autoestima. Mesmo assim continuei trabalhando e encontrei na dor um propósito: lutar pelos meus filhos e nunca desistir”, conta.
Alexandra não parou de trabalhar. Mergulhou ainda mais no mundo do varejo, atuando como vendedora e gerente em lojas de grandes marcas de calçados. Um convite para atuar no exterior mudaria a sua vida e a dos filhos.
