Mingau amazônico instantâneo de copinho vira negócio milionário
Carlos Eduardo OliveiraColaboração para o UOL
Saindo de uma reunião em uma incubadora de negócios em Manaus, onde tentava viabilizar projetos comerciais, o empresário Vanilson Costa atravessou a rua para tomar um café. No balcão da padaria, reparou no copo de mingau de banana de um cliente. Em seguida, o olhar subiu até a prateleira: um único pote de macarrão instantâneo. A conexão foi imediata. Voltou à incubadora e mudou o rumo do negócio. Nascia o Mingau Amazônico.
A proposta é simples e estratégica: unir o tradicional mingau de banana, alimento popular no Norte do país e pouco conhecido em outras regiões, à praticidade dos produtos instantâneos. A inspiração também vem dos carrinhos de mingau que circulam por Manaus no fim da tarde. Lançado em 2023, o negócio está em expansão e já desperta interesse fora do Amazonas.
“É um mingau instantâneo que preserva as características nutricionais e o sabor do preparo tradicional”, afirma Costa. A receita leva banana pacovan (banana-da-terra), castanha-do-pará e tapioca, cozidos lentamente ao leite. No produto final, basta adicionar água quente.
Natural de Goiânia (GO), Costa conheceu a Amazônia ao servir o Exército em Manaus. Anos depois, decidiu voltar e se estabelecer na região, onde vive há cerca de 15 anos. “Sempre quis desenvolver algo aqui, só faltava encontrar o produto certo”, diz.
O mingau é vendido em potes de 300 ml, com 80 gramas do produto desidratado, que se transformam em cerca de 250 ml após o preparo. Cada unidade contém 12 gramas de proteína, além de fibras e prebióticos. O sabor adocicado vem apenas da banana. “Um pote pode substituir um café da manhã ou um jantar. Também temos versão zero lactose”, afirma o empresário.
Segundo a nutricionista Adria Monteiro, responsável pelo conceito nutricional, trata-se de um alimento minimamente processado, sem glúten ou conservantes. “É fonte de selênio, potássio e magnésio, com validade de até quatro meses. Pode ser consumido por crianças a partir de um ano e atende tanto quem busca emagrecimento quanto ganho de massa”, explica.
Das incubadoras para o mercado
O preço final varia entre R$ 9 e R$ 12, conforme o ponto de venda. O projeto contou com apoio da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores). Após o período de incubação, o produto foi reapresentado já adequado às exigências técnicas de mercado, da embalagem à estabilidade.
“O avanço foi evidente, tanto do produto quanto da empresa”, afirma Deolinda Ferreira Garcia, diretora técnica da entidade e coordenadora da incubadora INUEA, em Itacoatiara (AM). “É um exemplo de como o apoio institucional pode gerar negócios viáveis.”
O investimento inicial foi de R$ 120 mil, com recursos próprios. Em seguida, a empresa recebeu um aporte de R$ 3 milhões de um investidor privado, o que permitiu a instalação de uma unidade industrial de 860 metros quadrados em Manaus. A capacidade atual é de até 10 mil unidades por dia, entre potes e sachês.
A distribuição conta com a rede Bemol, maior varejista do Amazonas. A empresa também negocia entrada em farmácias, supermercados e merendas escolares. Há ainda interesse de distribuidores do Sul e Sudeste, além de sondagens dos Estados Unidos, Japão e Caribe.
O investimento inicial foi de R$ 120 mil, com recursos próprios. Em seguida, a empresa recebeu um aporte de R$ 3 milhões de um investidor privado, o que permitiu a instalação de uma unidade industrial de 860 metros quadrados em Manaus. A capacidade atual é de até 10 mil unidades por dia, entre potes e sachês.
A distribuição conta com a rede Bemol, maior varejista do Amazonas. A empresa também negocia entrada em farmácias, supermercados e merendas escolares. Há ainda interesse de distribuidores do Sul e Sudeste, além de sondagens dos Estados Unidos, Japão e Caribe.
Impacto socioambiental
A empresa emprega cerca de 20 pessoas diretamente e centenas de forma indireta, por meio de fornecedores locais. A matéria-prima vem, em grande parte, de comunidades ribeirinhas do interior do Amazonas, que enfrentam desafios logísticos, climáticos e de comercialização.
