Ela largou CLT para criar marca de semijoias e já faturou R$ 35 milhões                                                  Lucas Marins Colaboração para o UOL
Ela largou CLT para criar marca de semijoias e já faturou R$ 35 milhões Lucas Marins Colaboração para o UOL

Ela largou CLT para criar marca de semijoias e já faturou R$ 35 milhões Lucas Marins Colaboração para o UOL

Por alguns anos, a paranaense Brenda Piccirillo, 32 anos, costumava ir de um lado para o outro com uma maleta vendendo semijoias consignadas que pegava com sua tia.

Era só um hobby, tocado em paralelo ao trabalho em uma multinacional do agronegócio e à faculdade.

Mas, nas conversas com clientes, Brenda começou a perceber uma oportunidade de negócio. “Esse período foi muito bom para eu sentir a dor das clientes, quais eram as dificuldades delas e o que elas gostavam”, diz.

Em 2019, pediu demissão e criou a CUFF Jewelry, um e-commerce de semijoias. O investimento inicial veio do próprio bolso: cerca de R$ 3 mil guardados do último 13º salário. Esse dinheiro foi usado para desenvolver o site da marca.

Hoje, sete anos depois, a empresa acumula cerca de R$ 35 milhões em faturamento.

Do quarto improvisado ao primeiro escritório

Como você pode imaginar, o início da empresa foi simples e com uma estrutura enxuta. Nos primeiros meses, Brenda operava sozinha, em um quarto na casa da mãe. Sem capital, começou com um modelo de estoque consignado, que já conhecia: pegava as peças, vendia e só pagava depois.

Isso dispensava um grande investimento inicial, mas logo virou um problema. “Eu fazia uma foto que bombava no site e depois não conseguia a quantidade que precisava do produto. Não tinha controle sobre a produção”, conta.

A solução veio rápido. Ainda em 2019, ela começou a abandonar o consignado e a montar o próprio estoque, inicialmente comprando peças prontas, mas já mirando a produção própria.

O crescimento no primeiro ano exigiu uma nova estrutura: Brenda deixou o quarto na casa da mãe e alugou um escritório, além de contratar a primeira funcionária para ajudar nos envios.

Aprendendo a produzir

Brenda passou a entender melhor como funcionava o mercado de semijoias —da escolha dos produtos à relação com fornecedores. A maior parte deles vinha de São Paulo, onde encontrou parceiros que mantém até hoje e a ajudaram a iniciar o processo de produção.

No começo, Brenda comprava componentes, como correntes vendidas em rolos, e terceirizava etapas como corte e banho —processo que garante o acabamento dourado ou prateado. “Ao conseguir um fornecedor de banho de confiança, eu já garantia a qualidade da peça e conseguia repor”, explica.

Com o tempo, veio o próximo passo: desenvolver peças 100% próprias. “Fui, pouquinho a pouquinho, expandindo esse meu mix de de produto com peças que eu queria desenvolver”, diz. O processo evoluiu para incluir modelagem em 3D, fundição —quando o metal é derretido em moldes— e acabamento.

A marca produz mais de 10 mil peças por mês —volume próximo ao que vende— e investe mais de R$ 100 mil mensais em metais preciosos usados no acabamento.

Só tem mulheres aqui

A CUFF tem uma equipe de 25 colaboradoras —sim, todas mulheres. A escolha não foi planejada desde o início, segundo a empresária, mas acabou se tornando parte da identidade da marca.

Muitas das colaboradoras começaram como clientes e já conheciam o produto, o estilo e a proposta da marca.

“Eu gosto de contratar as clientes, porque elas já entendem o que a gente faz. Isso encurta muito o caminho”, diz.