Como um mingau de 1 minuto criado por ex-militar virou negócio de R$ 45 mil por mês
Como um mingau de 1 minuto criado por ex-militar virou negócio de R$ 45 mil por mês

Como um mingau de 1 minuto criado por ex-militar virou negócio de R$ 45 mil por mês

Com ingredientes típicos da região amazônica, o mingau instantâneo já chega a feiras, escolas e novos mercados.

Por PEGN 

27/01/2026 

No Amazonas, um dos alimentos mais tradicionais da região ganha agora uma versão que pretende levar o sabor da floresta para todo o Brasil e para o exterior: o mingau amazônico instantâneo. 

Criado por Vanilson Costa, ex-militar que deixou Goiás aos 22 anos para viver na Amazônia, o produto combina ingredientes típicos — banana pacovan, castanha-do-pará e farinha de tapioca — em um formato semelhante ao dos macarrões instantâneos de copo. 

“Olhei para o macarrão, olhei pro copo e falei, não acredito que não pensei nisso não… vamos juntar. E se?”, lembra. 

A partir daí, o empreendedor se apoiou em três cadeias produtivas já existentes na região — da banana, da castanha e da mandioca — para desenvolver um alimento totalmente natural, sem açúcar, sódio ou conservantes. 

O produto foi incubado na Universidade do Estado do Amazonas e ganhou um investidor. A aceitação do público ocorreu rapidamente, principalmente após feiras regionais. 

Vanilson usa um argumento simples para demonstrar a praticidade: “Prepare um minuto. Como assim um minuto?”. 

Com o crescimento, ele ergue uma fábrica com capacidade diária estimada em 10 mil copos, além de um projeto voltado à merenda escolar, que prevê a entrega de até 30 mil quilos de mingau por semana. Hoje, o faturamento mensal é de R$ 45 mil.

A cadeia produtiva mobilizada pelo mingau instantâneo envolve agricultores e empreendedores como Klebson Dantas, que fabrica farinha de tapioca usada no produto. Ele conta que a expansão levou pequenos produtores a aumentar as áreas de cultivo. 

Um agricultor relata: “Cresceu de 4 hectares pra cento e tanto. Eu fico feliz porque sei que tem pra quem vender… consigo manter minha família no sítio”.

Klebson resume o impacto: “A gente se sente abençoado quando a gente sabe que o nosso produto, o nosso trabalho, está fazendo com que outras pessoas também cresçam”. 

A nutricionista Adria Monteiro também participa do desenvolvimento da receita. Ribeirinha, ela reforça o potencial nutricional do alimento. 

Ela destaca que o mingau, desidratado de maneira adequada, é rico e sem aditivos. “Ele não tem adição de açúcar, ele não tem adição de nenhum tipo de conservante e não ter adição de sódio.” 

A tradição do mingau amazônico também se mantém nas mãos de quem faz e vende o alimento de forma artesanal. É o caso de Eliezo Mendes, que trabalha com mingau desde os 15 anos e hoje acumula 66 anos de história familiar com a receita

Aos domingos, chega a vender cerca de mil copos, com o apoio de 21 funcionários. “Eu gosto de trabalhar com mingau. Eu gosto de tomar o mingau”, diz. O público reforça o vínculo afetivo: “É uma relação de amor, porque é mais de 50 anos que eu tomo esse mingau”.Consumidores também aprovam a novidade. Josilene Monteiro, cliente do mingau amazônico, se surpreendeu com a semelhança com o sabor original: “O que me encantou é a qualidade do mingau, que é muito, mas muito similar com o tradicional”. 

O sobrinho dela, Arthur, virou fã imediato: “Titi é maravilhoso, eu quero que toma demais”. 

Para muitos envolvidos, o mingau ultrapassa o campo da alimentação. Klebson define: “Vida, sustento, história, tradições… Mingau é vida”.