Rede nasceu de uma pizzaria em crise, aplicou lógica de startup e hoje está entre as melhores do mundo
O que parecia um negócio improvável virou uma rede em expansão. Em 2021, os empreendedores Daniel Lucco e Gustavo Brunello compraram uma pizzaria praticamente abandonada em São Paulo por R$ 90 mil. Poucos anos depois, a operação reformulada deu origem à La Braciera, rede especializada em pizza napolitana que alcançou cerca de R$ 53 milhões de faturamento em 2025, opera 11 unidades e vende aproximadamente 45 mil pizzas por mês.
A história da empresa, no entanto, começou antes da pizza.
Em 2015, Lucco e Brunello fundaram a Lucco Fit, startup de alimentação saudável congelada vendida pela internet. O negócio começou de forma improvisada, com produção na cozinha de casa, e cresceu rapidamente até ser vendido, em 2019, por R$ 11 milhões para uma multinacional.
Mesmo após a venda, a vontade de empreender permaneceu. Para Lucco, a volta ao setor de alimentação também tinha relação com a própria trajetória familiar.
“Minha família empreende há mais de 40 anos no ramo de gastronomia. Eu percebi uma oportunidade de aproveitar tudo que aprendi com os conceitos de gestão moderna na Lucco Fit com startup para um mercado tão tradicional e ainda amador que é o da gastronomia. A escolha da pizza é pela paixão pelo produto mesmo”, afirma o sócio-fundador.
A aposta em uma pizzaria abandonada
A virada veio em 2021, quando os empreendedores encontraram uma pizzaria à venda em São Paulo. O espaço estava deteriorado, mas chamou atenção justamente pelo potencial que enxergaram no negócio.
“A pizzaria estava praticamente abandonada, mas a gente enxergou ali a chance de criar uma marca forte, com produto de alta qualidade e potencial de escala”, afirma Lucco.
Segundo ele, a decisão envolveu mais do que análise racional.
“O valor que pagamos era menor do que tinha de mobília. Foi realmente uma oportunidade por conta da pandemia. Então, não foi bem um sinal e, sim, coragem de arriscar no momento certo”, diz.
Logo no início da operação, outros dois sócios se juntaram ao negócio — Marcos Paulo e Guilherme Paim — formando o grupo que lidera a empresa até hoje.
A proposta era reformular completamente a operação e apostar na pizza napolitana, estilo tradicional italiano reconhecido pela UNESCO como patrimônio cultural. Com massa de longa fermentação e alta hidratação, o produto mais leve e artesanal começou a atrair consumidores e impulsionou o crescimento inicial.
“Nos primeiros meses, a aposta começou a mostrar resultado. O movimento da casa cresceu rapidamente e confirmou que o novo posicionamento tinha potencial de escala”, afirma Lucco.
O desafio de mudar o paladar do consumidor
Se a compra da pizzaria foi um risco calculado, convencer o consumidor brasileiro representou um desafio ainda maior.
O principal obstáculo, segundo Lucco, era introduzir um produto diferente em um mercado acostumado há décadas ao modelo tradicional de pizza brasileira.
“O desafio foi mostrar o espaço da pizza de longa fermentação para o nosso mercado nacional, que tem mais de 100 anos de tradição com a pizza brasileira. Introduzir essa nova forma de consumir pizza foi um desafio gigante, ao ponto de muita gente achar que era moda”, afirma.
A aposta, porém, ganhou tração rapidamente. A marca começou a aparecer em rankings internacionais especializados e passou a figurar entre as melhores pizzarias do mundo. Entre os reconhecimentos recentes, a La Braciera foi eleita a 35ª melhor pizzaria do mundo pelo ranking 50 Top Pizza e recebeu duas vezes o selo Travellers’ Choice do Tripadvisor.
Para Lucco, o momento em que a empresa passou a pensar além de um restaurante de sucesso coincidiu com a busca deliberada por excelência no produto.
“No momento em que começamos a buscar os melhores chefs do mundo para fazer consultoria nas nossas operações. Sabemos o que queremos e sabemos onde queremos chegar”, afirma.
Segundo ele, a empresa já investiu mais de R$ 500 mil em consultorias focadas em produto. “Qualidade pra nós é inegociável”, diz.
